Número de suicídios de agentes penitenciários no estado de SP aumenta em 2017, diz sindicato.


Números do Sindicato dos Agentes de Vigilância e Escolta Penitenciária de São Paulo (Sindespe) apontam aumento de suicídios de funcionários de presídios do estado em 2017 em relação aos três últimos anos, desde que o levantamento começou a ser feito pela entidade.

Até setembro já foram sete suicídios, contra cinco em todo o ano passado (aumento de 40%). O número de assassinatos de agentes penitenciários foi menor: um neste ano contra cinco em 2016.

Em 2015, a entidade contabilizou dois suicídios, dois acidentes, seis homicídios e mais uma tentativa de assassinato. Há três anos, em 2014, no primeiro ano de contabilidade dos dados pelo sindicato, não houve nenhum suicídio, mas oito assassinatos e mais uma tentativa de homicídio.

Dois dos suicídios em 2017 ocorreram na capital paulista: um dos agentes trabalhava no presídio de Parelheiros, na Zona Sul, e outro no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na Zona Oeste da capital.

Também cometeram suicídio agentes que atuavam nas penitenciárias de Reginópolis, próximo a Bauru; dois que trabalham na penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba; um em Franca, próximo à cidade de Ribeirão Preto; e em Americana, na região de Campinas.

Torres

Em dois dos casos registrados neste ano, a morte ocorreu na própria casa do agente. Segundo Nerin Max, diretor do sindicato dos agentes penitenciários, grande parte dos funcionários que se matou neste ano trabalha nas torres dos presídios.

“A maioria deles são das torres. Eles acabam ficando sozinho em um lugar com armas, por horas, sem direito a intervalo. Nos carros de escolta, normalmente o agente está com outros três companheiros, pode conversar. Já na torre, há um isolamento e nem sempre a escala de intervalos para descanso é cumprida, para que o agente possa relaxar e descansar da pressão que cai sobre ele nesta função”, aponta Max.

Dentro da torre os agentes possuem três armas: uma pistola, uma arma longa (carabina de calibre 12 de munição de borracha, e um fuzil ou outro tipo de arma longa).

Em 2016, um agente de 27 anos e se matou na muralha da penitenciária de Araraquara. Segundo o sindicato, Rodrigo Valerio Torres sofria de depressão desde a adolescência e tinha acabado de voltar de licença por problemas psicológicos. “Ele chegou para trabalhar e mandaram ele para a torre de segurança da base. Ele pegou a sua arma, subiu para a torre e, nos primeiros minutos, matou-se”, afirmou Nerin Max. “Nas torres eles ficam sozinhos por turnos de 5 horas seguidas às vezes, porque não há efetivo suficiente”, disse o diretor do sindicato.

Outro caso emblemático de suicídio ocorreu em novembro de 2015, quando o agente Ricardo Nunes, que tinha um cargo de chefia, perdeu o posto que acumulava havia quatro anos. Ao chegar em casa, ele matou a mulher e se matou.

G1